O comércio global entra em um novo ciclo. O frete aéreo começa a subir com o avanço das festas e o aumento da demanda, enquanto o marítimo ainda opera em queda, mas dá sinais de retomada.
Novembro marca o início da alta temporada logística. A combinação de Black Friday, Natal, Ano Novo e as primeiras preparações para o Ano Novo Chinês intensifica os embarques e coloca pressão sobre os dois principais modais de transporte. Com o consumo em crescimento e os custos operacionais em movimento, o mercado se aproxima de uma virada que vai ditar o ritmo do início de 2026.
Um trimestre que dita o ritmo global
De novembro a fevereiro, a movimentação de cargas acelera em praticamente todas as rotas. O aumento do consumo e o reabastecimento de estoques tornam os fretes mais voláteis e exigem decisões logísticas rápidas. O aéreo segue estável, mas a demanda crescente e a limitação de voos indicam que essa estabilidade não deve durar muito.
Enquanto isso, o frete marítimo vive o efeito oposto. Depois de meses de redução de preços, acumula cerca de 15% de queda ao longo de 2025, reflexo da desaceleração global e da ampliação da oferta de espaço. No entanto, as companhias marítimas já começam a aplicar taxas adicionais para dezembro, sinalizando o fim do período de alívio.
Os modais caminham em sentidos diferentes, mas compartilham o mesmo destino: reajuste à vista.
Frete aéreo: estabilidade sob pressão
O transporte aéreo de cargas cresce de forma consistente há mais de um ano, impulsionado pelo e-commerce e pela retomada do consumo global. Essa demanda constante mantém o modal aquecido e cria o cenário ideal para um novo aumento sazonal.
O combustível é um dos fatores que mais pesam nessa equação. A Reuters informou em outubro que o preço do querosene de aviação na Europa praticamente dobrou com a expansão do uso de combustíveis sustentáveis. O impacto já começa a ser sentido nas rotas internacionais e tende a aumentar conforme o movimento de fim de ano se intensifica.
A estabilidade do frete aéreo tem prazo de validade.
A capacidade das aeronaves cargueiras ainda não acompanha o ritmo da demanda. Parte das cargas que antes seguia por navio migra para o aéreo em busca de prazos menores, elevando a disputa por espaço e pressionando os preços.
Dica: antecipar reservas e revisar estratégias de embarque se torna uma necessidade imediata para quem depende da agilidade desse modal.
Frete marítimo: trégua curta no horizonte
Enquanto o aéreo esquenta, o marítimo começa a sair de uma fase de calmaria. O aumento do preço do bunker e os desvios de rota no Mar Vermelho, motivados por tensões e ataques a navios comerciais, continuam elevando o tempo de trânsito e o custo do combustível. Para evitar riscos, parte das frotas passou a contornar a região pelo Cabo da Boa Esperança, no sul da África, o que alonga as viagens em até duas semanas e aumenta o consumo de bunker.
O reposicionamento de contêineres e o congestionamento em portos voltam a pressionar prazos e tarifas.
Mesmo com uma leve folga nos valores, o cenário indica que a trégua deve terminar em breve. Importadores relatam reajustes graduais em embarques de portos como Xangai e Ningbo, e a expectativa é que o fim do ano traga uma recuperação de preços acompanhada de novas taxas.
Um olhar estratégico para o mercado
As mudanças nos fretes refletem um contexto mais amplo. A volatilidade do petróleo, as tensões no Oriente Médio e a desaceleração industrial europeia seguem impactando o comércio global. O aéreo responde rapidamente ao aumento da demanda, enquanto o marítimo reage ao encarecimento do combustível e à complexidade das rotas internacionais.
Planejar antes que o mercado reaja é o diferencial competitivo deste fim de ano.
Para importadores e exportadores, o momento exige atenção e flexibilidade. O aéreo se mantém como opção para cargas de alto valor e prazos curtos, mas com tendência de alta. O marítimo continua mais acessível no curto prazo, mas com sinais claros de reversão. Antecipar embarques, negociar com antecedência e avaliar alternativas logísticas são ações que garantem previsibilidade em um cenário de custos variáveis.
O que vem a seguir
Dezembro deve consolidar a virada do mercado. O frete aéreo tende a encerrar o ano em alta, impulsionado pelo aumento global do consumo e pela limitação de capacidade. O marítimo deve iniciar um ciclo de recuperação gradual, acompanhando a elevação do petróleo e o reajuste das taxas. Em janeiro, com o reposicionamento de cargas após o Ano Novo Chinês, o comércio internacional entra em uma nova fase de equilíbrio, marcada por custos mais estáveis e um mercado mais ajustado à demanda.