O comércio exterior encerra mais uma semana marcada por mudanças nos fluxos internacionais, ajustes tarifários e deslocamento de mercados entre diferentes regiões do mundo. Dados recentes mostram alterações relevantes nas rotas de exportação, respostas de governos a pressões externas e impactos diretos em setores estratégicos como café, carne bovina e soja. A seguir, os principais fatos que definem o cenário atual do comercio exterior:
China e os novos fluxos do comércio internacional
As exportações chinesas para os Estados Unidos caíram 18% nos primeiros dez meses do ano em razão do tarifaço americano. Para compensar essa queda, a China ampliou suas vendas para outros mercados, registrando crescimento de 7% para a União Europeia, 14% para países do Sudeste Asiático e 26% para nações africanas. No total, as exportações chinesas avançaram 5,3% no ano.
O aumento do volume em novos destinos gerou reação de diversos países. No primeiro semestre, Brasil, México, Índia e Estados Unidos abriram 79 investigações antidumping contra produtos chineses, citando preços mais baixos no mercado internacional. Parte das exportações desviadas da China pode estar chegando aos EUA por meio de terceiros países, segundo análises citadas nas reportagens. A trégua comercial firmada entre China e Estados Unidos reduziu algumas tarifas adicionais, mas manteve a taxa média de 47% sobre produtos chineses.
Brasil no tarifaço e desempenho das exportações
O Brasil segue entre os países diretamente afetados pelas tarifas americanas. A redução anunciada pelos Estados Unidos retirou apenas 10% das tarifas aplicadas, mantendo uma taxa de 40% sobre café, carne e frutas brasileiras, enquanto países concorrentes como Vietnã e Colômbia tiveram tarifas zeradas. Entre agosto e outubro, as exportações brasileiras de cafés especiais para os EUA caíram 55%.
No setor de carne bovina, o Brasil deixou de exportar cerca de 700 milhões de dólares para os Estados Unidos entre agosto e outubro. Em outubro, as vendas de carne in natura recuaram 54%, enquanto as de carne industrializada caíram 20% e as de sebo bovino mais de 70%. Mesmo com a retração, o país ampliou embarques para outros mercados. As exportações para a China cresceram mais de 45% no ano, e a União Europeia registrou aumento de 112% em outubro, contribuindo para que o Brasil fechasse o mês com 1,897 bilhão de dólares em receita de carne bovina.
No agro, as projeções para 2026 indicam que as exportações de soja devem alcançar novo recorde, com estimativa de crescimento de 5%. Na logística regional, a greve dos pilotos da Latam no Chile resultou no cancelamento de 173 voos e afetou temporariamente a capacidade de carga em rotas do Cone Sul, impactando embarques que dependem de conexões aéreas na região.