França pressiona o acordo Mercosul UE enquanto Brasil tenta salvar a assinatura

França pressiona o acordo Mercosul UE enquanto Brasil tenta salvar a assinatura

As negociações entre Mercosul e União Europeia entraram na fase mais crítica, com Paris elevando o tom e Brasília defendendo um desfecho ainda em dezembro.

A resolução aprovada pelo Parlamento francês para que Macron rejeite o acordo reacendeu o impasse político no bloco europeu. Com 244 votos favoráveis, a França cobra garantias sanitárias e ambientais e insiste em regras equivalentes para pesticidas e controles agrícolas. A medida complica o cronograma da Comissão Europeia, que busca fechar o texto até 20 de dezembro para apresentação na cúpula do Mercosul. Alemanha e Espanha seguem defendendo a urgência do acordo para reduzir dependências comerciais.

Apesar da pressão francesa, a diplomacia brasileira afirma que o tratado ainda pode ser concluído este ano. O embaixador Ricardo Neiva Tavares destaca que a parceria ampliaria previsibilidade em meio às tensões comerciais globais e abriria espaço para exportações brasileiras de maior valor agregado. Setores como energia, logística, saneamento e aeronáutica são apontados como os mais promissores. O Brasil segue defendendo que o acordo concilie exigências ambientais e abertura de mercado.

Outro ponto de atenção vem do mercado de combustíveis. A gasolina no Brasil voltou a ficar mais cara do que no exterior, enquanto o diesel permanece mais barato. A defasagem abre espaço para importadores e pode influenciar custos logísticos domésticos, especialmente no transporte rodoviário. Com o diesel congelado há mais de 200 dias, possíveis ajustes podem alterar o custo operacional de operadores e reduzir a previsibilidade no curto prazo.

Cenário global segue pressionado por tensões econômicas e tecnológicas

No ambiente internacional, a União Europeia avançou na proposta de usar ativos russos congelados para financiar a Ucrânia, gerando alertas sobre risco de confisco e perda de confiança no sistema financeiro. A medida pode encarecer captação no bloco e influenciar fluxos de investimento ligados ao comércio exterior. Paralelamente, a China reforça seu peso tecnológico com os novos óculos de IA do Alibaba, tendência que pressiona cadeias de suprimentos e amplia a demanda por eletrônicos exportados para o Ocidente.

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