As notícias dos últimos dias mostram avanços internos importantes enquanto fatores externos elevam a atenção de quem atua no comex.
O governo brasileiro finalizou o modelo do megaterminal Tecon Santos 10, que prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos e deve ampliar em aproximadamente 50% a capacidade do Porto de Santos. A inclusão de um pátio ferroviário capaz de escoar 900 TEUs por dia prepara o porto para mais cargas e melhor integração entre navio, trem e caminhão. No setor privado, a Log registrou vacância inferior a 1%. Vacância é o quanto de espaço está vazio em um galpão. Quanto menor, maior a procura. A empresa também anunciou um plano de investimento de R$ 1 bilhão para 2026, confirmando que o mercado logístico segue aquecido.
Enquanto isso, a relação entre Brasil e Argentina ganhou tensão após Javier Milei repostar uma imagem que retratava o Brasil de forma depreciativa, justamente no dia em que seu país divulgou crescimento de 3,3% no trimestre. O episódio gerou ruído político em um momento em que indústrias e cadeias produtivas dos dois países dependem de previsibilidade para manter o fluxo de cargas. Mesmo com declarações mais duras, a interdependência logística permanece e exige cooperação diária para evitar impactos nas operações.
Mercosul e União Europeia na reta final
O Mercosul decidiu aceitar, de forma estratégica, as salvaguardas agrícolas aprovadas pela União Europeia, mas o acordo ainda não está garantido. A França segue como principal foco de resistência dentro do bloco europeu e pode impedir a assinatura final. Por isso, os países sul-americanos adotaram um “silêncio estratégico” para evitar qualquer reação pública que fortaleça a oposição francesa. Para exportadores brasileiros, o ponto de atenção está no mecanismo europeu que permite suspender benefícios tarifários quando as exportações aumentam mais de 5%, exigindo gestão cuidadosa de volumes e janelas de embarque.
No cenário global, os Estados Unidos ordenaram o bloqueio total de navios petroleiros sancionados da Venezuela, elevando o risco operacional na região do Caribe e pressionando custos logísticos. Ao mesmo tempo, Washington reforçou sua presença militar no Paraguai e cobrou que a China reduza seu superávit comercial de 1 trilhão de dólares. Esses movimentos aumentam a incerteza internacional e reforçam a importância de planejamento para importadores e exportadores.
No conjunto, o Brasil avança em infraestrutura enquanto o ambiente externo se torna mais complexo, misturando tensões diplomáticas, ajustes regulatórios e impactos diretos nas rotas comerciais. Para quem atua no comércio exterior, o momento pede atenção ampliada, leitura de cenário e decisões alinhadas à velocidade com que o contexto global tem mudado.