A China inicia o ano com sinais relevantes para o comércio exterior. Mesmo com desaceleração da economia doméstica, o país manteve desempenho sólido nas exportações e ampliou seus parceiros comerciais fora dos Estados Unidos. A estratégia de diversificação de mercados segue ativa e influencia a concorrência global, a formação de preços e as decisões de rota nas operações internacionais.
Na Europa, a União Europeia declarou estar próxima de concluir um acordo de livre comércio com a Índia. O movimento cria um novo eixo comercial de grande escala e reforça a estratégia europeia de diversificação de cadeias e parceiros. Para exportadores e importadores, acordos desse porte tendem a redesenhar fluxos ao longo do tempo e alterar a competitividade em diferentes mercados, inclusive para países terceiros como o Brasil.
No agronegócio, o Brasil aparece com oportunidades claras e pontos de atenção. A Abiec projeta crescimento entre 5% e 7% nas exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia, com avanço gradual concentrado em mercados de alto padrão sanitário e forte exigência de rastreabilidade. Ao mesmo tempo, a China adotou medidas de salvaguarda para proteger seu mercado doméstico, exigindo atenção especial à gestão de cotas e ao acompanhamento de cargas em trânsito. Nesse cenário, Indonésia e México ganham relevância como destinos alternativos, reduzindo a dependência excessiva de um único mercado.
No campo logístico e energético, o Petrobras e a Transpetro anunciaram investimento de R$ 2,8 bilhões para ampliar a frota nacional com gaseiros, barcaças e empurradores, com foco em reduzir a dependência de afretamentos internacionais e dar mais flexibilidade à logística de energia. No cenário internacional, a descoberta de um novo depósito de gás nas Filipinas, próxima ao Mar do Sul da China, ocorre em uma região sensível do ponto de vista geopolítico e estratégico.
Em paralelo, cresce o risco regulatório no comércio internacional após os Estados Unidos ameaçarem impor tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes da França por razões políticas. O episódio reforça o uso de tarifas como instrumento de pressão diplomática, ampliando o ruído entre países e reduzindo a previsibilidade para importadores e exportadores no planejamento de contratos e embarques.