O comércio exterior brasileiro e global atravessa um momento de ajustes operacionais e incertezas regulatórias. Na Europa, protestos de caminhoneiros nos Balcãs Ocidentais bloquearam terminais de carga em fronteiras estratégicas, interrompendo um corredor logístico que conecta a União Europeia à Turquia e ao Oriente Médio. A paralisação ocorreu em reação às regras do Espaço Schengen, que limitam o tempo de permanência de motoristas, e já provoca atrasos e reprogramações no transporte terrestre internacional.
No campo dos insumos, a China reduziu suas exportações de fertilizantes fosfatados ao menor nível em 12 anos. A queda de 18% em relação a 2024 restringe a oferta global e sustenta preços elevados, afetando diretamente países importadores como o Brasil. Apesar da diversificação de fornecedores, com destaque para Rússia e Arábia Saudita, o movimento pressiona o planejamento de compras e os custos logísticos, especialmente em períodos de maior demanda agrícola.
Esse cenário de custos mais altos se reflete também no mercado interno. O preço do feijão atingiu o maior nível em nove meses, impulsionado pela redução da oferta na primeira safra e pela incerteza em relação ao plantio do segundo ciclo. Embora não seja um item de importação relevante, o aumento ilustra como gargalos produtivos e logísticos impactam cadeias de abastecimento e preços ao consumidor, com reflexos indiretos sobre o comércio e o transporte.
No plano político-comercial, os Estados Unidos voltaram a adotar uma postura mais dura nas negociações internacionais, com elevação de tarifas sobre produtos da Coreia do Sul e risco de paralisação do governo federal. Ao mesmo tempo, o presidente Lula manteve diálogo com Donald Trump sobre tarifas ainda aplicadas a produtos brasileiros e sobre a agenda bilateral. As conversas indicam tentativa de preservação do canal diplomático, em um contexto de maior volatilidade nas relações comerciais globais.