O tratado New START entre EUA e Rússia expirou em 05/02/2026, deixando as duas potências sem limites legais e sem inspeções formais. Na prática, isso aumenta o ruído geopolítico e tende a elevar volatilidade em energia, câmbio e percepção de risco. Para quem opera comércio exterior, o efeito costuma aparecer em custo de seguro, variação de frete e planejamento de lead time. Em semanas assim, previsibilidade vira ativo caro.
No Brasil, 2025 fechou com recorde de recuperações judiciais: 5,6 mil empresas, alta de 24%, com o agronegócio puxando (+67%). O pano de fundo é a manutenção de juros altos por mais tempo, pressionando empresas dependentes de crédito para girar. Na cadeia logística, isso pode virar renegociação de prazos, atraso em pagamentos e aumento de risco em serviços terceiros. Operação redonda começa com parceiro financeiramente estável.
No fluxo externo, janeiro de 2026 mostrou um redesenho relevante: exportações brasileiras para os EUA caíram 25,5% (US$ 2,40 bi) e geraram déficit de US$ 670 mi. Já para a China, as exportações subiram 17,4% (US$ 6,47 bi), com superávit de US$ 720 mi. Esse tipo de movimento influencia decisões de roteamento, priorização de capacidade, negociação com armadores e estratégia de estoques. Também muda a conversa sobre prazos e custos porta a porta.
Do lado de volume, a exportação de petróleo do Brasil cresceu 13,3% em janeiro, somando 10,57 milhões de toneladas, maior nível mensal em quase 3 anos. Mais carga em commodities pode disputar janela operacional em alguns corredores, com reflexo em disponibilidade e pricing em momentos específicos. E, no varejo, shoppings bateram R$ 200 bi em 2025 e projetam R$ 203 bi em 2026, reforçando demanda por reposição e distribuição. O recado do dia é simples: volatilidade externa mais pressão financeira interna exigem planejamento mais fino e alternativas de rota.