Os Estados Unidos seguem usando energia como instrumento geopolítico. A pressão sobre países que fornecem petróleo a Cuba levou à suspensão do combustível de aviação na ilha, reduzindo voos e capacidade de carga aérea no Caribe. Em paralelo, as negociações entre EUA e Irã avançaram para uma nova rodada, mantendo o prêmio de risco no Oriente Médio e sustentando a volatilidade no preço do petróleo, que segue impactando bunker, seguros e sobretaxas logísticas.
A crise energética cubana ganhou dimensão regional. Rússia e México se posicionaram contra as sanções americanas e mantêm apoio ao país, enquanto companhias aéreas já revisam operações. Na prática, o cenário cria instabilidade logística prolongada, afeta conexões aéreas e marítimas e eleva o risco operacional em rotas que cruzam o Caribe, com reflexos indiretos em cadeias da América Latina.
Na Ásia, a China reforçou o discurso de reunificação com Taiwan, elevando o risco geopolítico no Estreito. Ao mesmo tempo, autoridades taiwanesas afirmaram ser inviável transferir grande parte da produção de semicondutores para os EUA. O efeito é a manutenção da concentração produtiva na região, com impacto direto em seguros, prazos e custos de eletrônicos, autopeças e equipamentos industriais.
No Brasil, o governo defende a consolidação do país como hub logístico global, apoiado em concessões e investimentos em infraestrutura. Ainda assim, o ambiente externo pesa. O dólar, mesmo em queda recente para a faixa de R$ 5,18, segue em patamar elevado para importadores, pressionando custos, capital de giro e formação de preços. Com energia cara e câmbio sensível, previsibilidade virou ativo estratégico no planejamento de comércio exterior.