Entre tarifas globais e política industrial: o novo desenho do comércio internacional

Entre tarifas globais e política industrial: o novo desenho do comércio internacional

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de barrar parte do tarifaço levou o governo americano a adotar uma tarifa global uniforme de 15%. Para o Brasil, o efeito relativo é positivo: a tarifa média sobre exportações brasileiras cai de cerca de 26% para aproximadamente 12,8%, segundo estudo citado. A competitividade melhora porque a alíquota passou a ser igual para todos. Minerais críticos, energia, farmacêuticos, componentes eletrônicos e parte do agro ficaram de fora da sobretaxa, revelando prioridades estratégicas americanas.

A China afirmou que monitora possíveis medidas alternativas dos EUA e sinalizou que reagirá se necessário, mantendo o comércio no centro da disputa geopolítica. Ao mesmo tempo, o Brasil busca ampliar sua margem de manobra ao reforçar a parceria estratégica com a Coreia do Sul. O comércio bilateral somou US$ 10,8 bilhões em 2025, mas o foco agora é integração produtiva em minerais críticos, tecnologia e semicondutores, além da retomada das negociações Mercosul–Coreia.

No movimento interno, o governo brasileiro elevou o imposto de importação de mais de 1.200 produtos, especialmente máquinas e equipamentos de tecnologia, com alíquotas concentradas entre 7% e 20%. A medida busca reduzir dependência externa e fortalecer a indústria nacional, enquanto regimes como ex-tarifário, drawback e Repetro funcionam como amortecedores para evitar impacto direto em grandes projetos industriais.

Na região, a reforma trabalhista na Argentina pode alterar a previsibilidade logística, ao mesmo tempo em que o julgamento sobre a exclusão do ISS da base de PIS/Cofins pode impactar a estrutura de custos de empresas de serviços, inclusive ligadas ao comércio exterior. O cenário combina proteção industrial, reorganização de cadeias globais e uso estratégico de tarifas. Para importadores e exportadores, a leitura geopolítica tornou-se parte da gestão operacional.

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