Navios retidos e rotas desviadas: guerra pressiona logística global

Navios retidos e rotas desviadas: guerra pressiona logística global

Armadores começaram a alterar operações diante do aumento do risco no Golfo Pérsico. A MSC declarou “Fim de Viagem” para cargas destinadas a portos da região, determinando que os contêineres sejam descarregados no porto seguro mais próximo e aplicando uma sobretaxa de US$ 800 por contêiner. A Evergreen também suspendeu novas reservas para portos do Oriente Médio, enquanto cerca de 52 navios franceses permanecem no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho aguardando condições mais seguras de navegação.

As restrições também atingem hubs logísticos e rotas internacionais. Operadores passaram a aplicar sobretaxas emergenciais que chegam a cerca de US$ 3.000 por contêiner em algumas operações na região. Ao mesmo tempo, o mercado de energia reage à instabilidade, com alta do petróleo pressionando custos de combustível e transporte global. Companhias aéreas já alertam que o cenário pode afetar rotas de longa distância e elevar custos operacionais.

Nos Estados Unidos, uma decisão do Tribunal de Comércio Internacional determinou a devolução de tarifas cobradas de importadores com base em poderes emergenciais do governo. A medida pode desencadear um dos maiores processos de reembolso tarifário da história recente do país, com bilhões de dólares potencialmente devolvidos a empresas que pagaram as taxas.

No Brasil, um problema estrutural também pressiona a logística. Segundo a consultoria Ilos, o país perdeu cerca de 1,2 milhão de motoristas de caminhão habilitados entre 2015 e 2025. Apenas 4% dos condutores têm menos de 30 anos e, em Santa Catarina, cerca de 8 mil caminhões estão parados por falta de motoristas. Como aproximadamente 65% da carga brasileira depende do transporte rodoviário, a escassez já impacta prazos, custos de frete e previsibilidade das operações logísticas.

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