Informações de inteligência elevaram o alerta para a navegação no Estreito de Ormuz, diante do risco de minas marítimas na região. A rota, por onde passa cerca de 20% do petróleo global, também registrou novos ataques contra navios cargueiros nos últimos dias. Desde o início da escalada do conflito no Oriente Médio, ao menos 13 embarcações comerciais sofreram incidentes, aumentando o risco operacional para armadores, seguradoras e operadores logísticos.
A instabilidade na principal rota energética do planeta fez o mercado reagir rapidamente. O petróleo disparou e levou países da Agência Internacional de Energia a liberar cerca de 400 milhões de barris de reservas estratégicas para tentar equilibrar a oferta global. Mesmo com a intervenção, a volatilidade permanece elevada e já pressiona diferentes combustíveis usados na logística internacional, como bunker marítimo, diesel e querosene de aviação.
Os efeitos também chegaram ao transporte aéreo. Companhias como Qantas, SAS e Air New Zealand anunciaram aumentos nas tarifas após o combustível de aviação disparar com a escalada do conflito. O querosene, que antes custava entre US$ 85 e US$ 90 por barril, passou para níveis entre US$ 150 e US$ 200 nos últimos dias. Além do aumento de preços, empresas do setor alertam que uma guerra prolongada pode afetar até a disponibilidade de combustível em algumas regiões, já que o Kuwait, importante exportador de combustível de aviação para a Europa, enfrenta cortes na produção.
No Brasil, o cenário adiciona uma preocupação relevante para a logística interna. O país depende da importação de aproximadamente 30% do diesel consumido e parte dos importadores já suspendeu compras diante da volatilidade internacional e da defasagem de preços internos. O setor estima que os estoques atuais garantem abastecimento por cerca de 15 dias, enquanto o governo monitora a alta nos postos e acionou o Cade para investigar possíveis repasses abusivos.
Ao mesmo tempo, o comércio exterior brasileiro segue em expansão estrutural. O país registrou recorde de quase 30 mil empresas exportadoras e mais de 60 mil importadoras, mostrando que cada vez mais negócios dependem da logística internacional. Em um ambiente de rotas pressionadas, energia mais cara e custos voláteis, planejamento logístico e gestão de risco tornam-se fatores cada vez mais decisivos para manter operações previsíveis no comércio global.