A tensão no Estreito de Ormuz ganhou um novo capítulo nesta semana, com o Irã ameaçando restringir a passagem de embarcações ligadas a países considerados inimigos, ao mesmo tempo em que cogita a cobrança de até US$ 2 milhões por navio como condição para trânsito. Apesar disso, dados recentes mostram que o fluxo não foi interrompido completamente, com navios-tanque ainda cruzando a região, o que indica um cenário de risco elevado, mas sem paralisação total da rota.
No campo político, os Estados Unidos anunciaram uma trégua temporária de cinco dias nos ataques a instalações iranianas, sinalizando a tentativa de abrir espaço para negociações. A medida trouxe alívio imediato ao mercado internacional, refletido na queda superior a 10% no preço do petróleo. Ainda assim, o movimento não elimina a incerteza, já que não há confirmação de acordo definitivo e o próprio Irã nega avanços concretos nas negociações.
Mesmo com esse recuo pontual nos preços, os impactos da crise energética já começam a se espalhar pela economia global. A China, por exemplo, decidiu limitar o aumento dos combustíveis para conter os efeitos da alta do petróleo sobre sua economia interna, evidenciando que o problema deixou de ser regional e passou a exigir respostas estruturais de grandes mercados.
No Brasil, esse cenário já se traduz em custos logísticos mais elevados. A ANTT atualizou a tabela do piso mínimo do frete com base em um diesel de referência a R$ 7,35 por litro, elevando os valores por quilômetro rodado. Com isso, o CIOT, Código Identificador da Operação de Transporte, passa a ter papel central ao registrar cada operação e impedir, já no sistema, a contratação de fretes abaixo do piso mínimo. Na prática, isso significa que operações com valores inferiores deixam de ser apenas irregulares e passam a não acontecer formalmente, reforçando a fiscalização e consolidando um ambiente de maior pressão sobre o transporte no país.