Importar e exportar no Brasil continua exigindo atenção maior ao planejamento, em um cenário marcado por custos logísticos elevados e limitações de infraestrutura. Um estudo mostrou que esses custos chegaram a R$ 1,96 trilhão em 2025, o equivalente a 15,5% de tudo o que a economia brasileira produz. Esse peso aparece no transporte, no armazenamento, no estoque e na administração da operação. Para empresas que dependem de prazo, margem e previsibilidade, o dado reforça a relevância da logística dentro da tomada de decisão.
Esse quadro ganha mais atenção em um ambiente econômico de menor crescimento. O Banco Mundial reduziu a projeção de expansão do Brasil para 1,6% em 2026 e citou fatores como crédito caro, espaço fiscal limitado e incerteza na política comercial. O resultado é um cenário mais restritivo para investimento e produtividade. Para o comércio exterior, isso amplia a necessidade de decisões mais cuidadosas em custo, prazo e planejamento.
O transporte aéreo ajuda a mostrar como o mercado está se reorganizando diante desse contexto. Os volumes começaram o ano em queda, mas algumas rotas consideradas estratégicas continuam recebendo reforço de capacidade, como o corredor entre Guarulhos e Manaus. O movimento indica concentração de oferta em fluxos com demanda mais previsível e maior relevância econômica. Para operações que dependem de rapidez, essa redistribuição de capacidade passa a ter peso maior na estratégia logística.
Fora do Brasil, projetos na Suíça e na Turquia mostram como infraestrutura e visão de longo prazo seguem influenciando a competitividade logística. Enquanto os suíços apostam em transporte subterrâneo automatizado de cargas e os turcos ampliam a malha ferroviária para fortalecer sua posição entre Europa e Ásia, o Brasil ainda discute caminhos para reduzir gargalos históricos. A comparação ajuda a mostrar que competitividade no comércio exterior também depende da forma como cada país estrutura sua circulação de mercadorias.