A decisão da Camex de zerar o imposto de importação para 692 produtos se soma a outras movimentações recentes que afetam diretamente a rotina do comércio exterior. A medida alcança bens de capital e bens de informática e telecomunicações, como máquinas, equipamentos e tecnologias sem fabricação nacional, mas vem acompanhada de mudanças operacionais na aduana e de novas discussões sobre infraestrutura logística, que ajudam a entender o momento do setor.
No caso da zeragem tarifária, a lista inclui medicamentos, insumos químicos, proteínas para suplementos alimentares e equipamentos de controle de tráfego aéreo. Além da redução de imposto, a Camex também tratou de ações voltadas a setores como metalurgia, embalagens e produção de baterias elétricas, sinalizando o uso da importação como ferramenta para suprir gargalos produtivos, reduzir custos e dar mais competitividade à indústria brasileira.
No campo operacional, a Receita Federal ampliou o desembaraço aduaneiro sobre águas para todos os importadores, benefício que antes era restrito às empresas certificadas como Operador Econômico Autorizado. A mudança pode reduzir prazos e custos, mas o setor ainda aponta entraves práticos, como a cobrança de períodos mínimos de armazenagem pelos terminais e a exigência de pagamento antecipado de tributos via DUIMP, o que pressiona o fluxo de caixa, especialmente de pequenas e médias empresas. As unidades da Receita em São Paulo também seguem temporariamente fora da medida, criando diferenças entre portos.
Já na infraestrutura, voltou ao radar do governo a reativação da hidrovia do Rio São Francisco para o transporte de cargas, com potencial para movimentar até cinco milhões de toneladas por ano entre Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. A discussão reforça o peso do custo logístico interno nas operações de comércio exterior, enquanto o cenário internacional segue adicionando incerteza, como mostram os recentes ataques a navios no Estreito de Ormuz e seus impactos sobre fretes, seguros e planejamento das operações.