Etanol entra no radar da navegação enquanto energia, infraestrutura e custos pressionam decisões logísticas

Etanol entra no radar da navegação enquanto energia, infraestrutura e custos pressionam decisões logísticas

O etanol brasileiro passou a ser avaliado como alternativa de menor emissão no transporte marítimo internacional, em meio ao avanço de regras ambientais e à busca de armadores por combustíveis menos intensivos em carbono. A discussão envolve principalmente o etanol de milho, cuja produção contínua facilita contratos de fornecimento mais estáveis, e já começa a influenciar decisões de tradings, operadores portuários e empresas de energia ligadas ao comércio exterior, ainda que o movimento esteja em fase inicial.

No mercado energético, a Petrobras encerrou o trimestre como a petroleira mais lucrativa do mundo em dólares, resultado impulsionado pela combinação de desempenho operacional e efeito cambial. O dado reforça o peso do Brasil no fluxo global de energia e entra na conta de planejamento logístico, ao influenciar custos de bunker, renegociações de frete marítimo e decisões de médio prazo em cadeias dependentes de combustíveis fósseis.

Na infraestrutura, ajustes seguem ocorrendo em diferentes pontos da malha logística. O Porto do Rio de Janeiro recebeu seu primeiro navio de 366 metros após a dragagem do canal de acesso, ampliando a capacidade para embarcações de grande porte e alterando o posicionamento do terminal na disputa por cargas conteinerizadas. No eixo regional, o Paraguai anunciou a ampliação de sua frota fluvial na Hidrovia Paraguai–Paraná, movimento que tende a melhorar o escoamento e a competitividade logística no Cone Sul, com efeitos indiretos sobre fluxos brasileiros.

Ao mesmo tempo, os custos internos continuam pressionando a operação. O frete rodoviário registrou alta relevante no mês e acumula avanço expressivo em 12 meses, refletindo aumento de combustível, manutenção e restrições de capacidade. A combinação de logística interna mais cara com um ambiente internacional ainda sensível reforça a necessidade de decisões integradas entre energia, infraestrutura e comércio exterior, em um cenário de margens mais apertadas e menor previsibilidade operacional

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