O bloqueio naval anunciado pelos Houthis no Estreito de Bab el-Mandeb adicionou um novo fator de risco às cadeias globais de suprimentos. A rota é uma das principais conexões entre Ásia, Oriente Médio e Europa e concentra o trânsito de cargas conteinerizadas, combustíveis e matérias-primas. Caso as restrições avancem, operadores logísticos podem enfrentar aumento nos tempos de trânsito, custos de seguro mais elevados e a necessidade de redirecionamento de navios por rotas mais longas, incluindo o Cabo da Boa Esperança.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos ampliaram sua agenda comercial protecionista ao anunciar uma tarifa de 50% sobre determinados produtos canadenses. A medida atinge cerca de US$ 20 bilhões em mercadorias e reacende discussões sobre novas disputas comerciais na América do Norte. O governo canadense já sinalizou a possibilidade de adotar medidas de retaliação caso as tarifas sejam efetivamente implementadas.
As mudanças também afetam o Brasil. A tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras passa a atingir aproximadamente US$ 8 bilhões em vendas ao mercado americano, segundo estimativas divulgadas pelas autoridades. Diante do cenário, o governo iniciou reuniões com representantes de setores como máquinas e equipamentos, veículos, autopeças, têxteis, calçados e eletrônicos para discutir os impactos da medida e alternativas para ampliar o acesso a outros mercados.
Outra medida anunciada por Washington envolve as importações de alumínio. O governo americano ajustou sua política tarifária para estimular a produção doméstica da commodity, criando incentivos para empresas que ampliarem ou instalarem capacidade produtiva no país. A iniciativa faz parte da estratégia de fortalecimento da indústria local e pode influenciar os fluxos globais de comércio de metais e matérias-primas industriais.