A intensificação dos ataques dos Houthis, grupo rebelde que controla parte do território do Iêmen, voltou a aumentar a pressão sobre o Mar Vermelho, rota responsável por uma parcela significativa do comércio entre Ásia e Europa, cenário que continua levando armadores a desviarem embarcações pelo Cabo da Boa Esperança e elevando custos e tempos de trânsito em diversas cadeias globais. O avanço das tensões levou países do G7 a reforçarem a presença naval na região e ganhou novos desdobramentos após os Emirados Árabes Unidos suspenderem operações comerciais e financeiras com o Irã, ampliando a instabilidade em uma das áreas mais estratégicas para o transporte marítimo internacional e para o mercado global de energia.
A movimentação ocorre em paralelo a novos avanços na Venezuela, onde a produtora americana de petróleo Crossover Energy informou estar próxima de concluir acordos com a PDVSA, estatal petrolífera venezuelana, enquanto a também americana Hunt Oil garantiu acesso a dois campos terrestres de petróleo no país. Os acordos reforçam um movimento gradual de retorno de empresas dos Estados Unidos ao setor energético venezuelano e surgem em um momento em que questões relacionadas à oferta de petróleo continuam sendo acompanhadas de perto por governos, investidores e empresas ligadas ao comércio internacional.
Os custos do transporte marítimo também permanecem no radar de importadores e exportadores após a CMA CGM anunciar o aumento para US$ 250 por TEU, medida padrão utilizada para contêineres de 20 pés, da sobretaxa aplicada às cargas que transitam pelo Canal do Panamá. No Brasil, a cobrança afetará embarques destinados a Manaus e acompanha a redução do calado permitido para os navios que transitam pelas novas eclusas do canal, estrutura construída para receber embarcações de maior porte e cuja limitação pode reduzir a quantidade de carga transportada em algumas operações. A MSC também passou a adotar cobranças adicionais em determinadas rotas, reforçando a preocupação do mercado com novos aumentos nos custos logísticos.
No Brasil, as atenções se voltaram para a infraestrutura portuária e para os custos associados às operações de importação. A Portonave concluiu mais uma etapa da ampliação do cais em Navegantes, atingindo 700 metros operacionais e retomando a capacidade de receber dois navios simultaneamente dentro de um programa de investimentos superior a R$ 2 bilhões destinado à expansão e modernização do terminal. Já no Espírito Santo, a nova tarifa criada pela Vports, concessionária responsável pelos portos capixabas, para veículos importados e cargas sob regimes especiais gerou reação entre empresas e entidades do comércio exterior por poder atingir até 0,93% do valor da mercadoria, tema que ganhou relevância pelo fato de os portos do estado concentrarem mais da metade das importações brasileiras de veículos.