A partir de 19 de setembro, Maersk e Hapag-Lloyd voltarão a utilizar o Mar Vermelho e o Canal de Suez em quatro serviços da Gemini Cooperation, encerrando parcialmente os desvios pelo Cabo da Boa Esperança e reduzindo o tempo de trânsito entre Ásia e Europa. A decisão representa um passo importante para a normalização das rotas marítimas globais, mas ocorre em um ambiente ainda marcado por instabilidade. Ataques a navios no Estreito de Ormuz, avanços dos Houthis em áreas estratégicas próximas ao Mar Vermelho e ameaças à infraestrutura energética da Arábia Saudita indicam que os riscos à navegação permanecem elevados e podem voltar a influenciar decisões operacionais dos armadores.
Ao mesmo tempo, a pressão sobre os custos logísticos continua aparecendo em diferentes corredores de comércio. A Seaboard Marine anunciou a aplicação de uma sobretaxa de temporada alta a partir de 11 de outubro para cargas embarcadas do Chile, Peru e Equador com destino aos Estados Unidos e Canadá. Os valores chegam a US$ 800 para contêineres refrigerados de 40 pés, reforçando o cenário de ajustes tarifários mesmo em um momento de expectativa por maior fluidez nas principais rotas marítimas internacionais.
No Brasil, a agenda logística e de comércio exterior segue avançando em diferentes frentes. As rodovias BR-163 e BR-364 receberão 500 câmeras equipadas com inteligência artificial para reforçar o monitoramento de um dos mais importantes corredores de escoamento do agronegócio nacional. Também ganhou destaque a movimentação para modernização da infraestrutura aeroportuária com o processo de repactuação da concessão do Aeroporto Internacional de Brasília, enquanto um novo terminal voltado ao setor de celulose promete redesenhar fluxos logísticos relevantes na região Sul.
Na área regulatória, a criação do Fundo de Crédito à Exportação representa uma das medidas mais relevantes das últimas semanas para ampliar o acesso a instrumentos de financiamento e fortalecer a competitividade do exportador brasileiro. O governo também instituiu o Comitê Executivo do Siscomex, reforçando a gestão e a modernização tecnológica do principal sistema de comércio exterior do país. Paralelamente, novas investigações antidumping envolvendo ácido fosfórico e fibras de vidro mantêm o foco sobre mecanismos de defesa comercial, enquanto a política de exportações passa a incorporar de forma mais estruturada critérios socioambientais em algumas operações. O cenário é complementado por uma balança comercial ainda superavitária, dólar acima de R$ 5,16 e reservas internacionais em trajetória de crescimento, indicadores que seguem influenciando o ambiente de negócios para importadores e exportadores brasileiros.