A decisão da Hapag-Lloyd de criar uma nova taxa de US$ 155 por TEU para cargas embarcadas da Oceania com destino à Costa Leste dos Estados Unidos e à América Latina amplia o movimento de reajustes observado no transporte marítimo internacional. Com vigência a partir de 17 de outubro de 2026, a cobrança se soma a uma sobretaxa emergencial anunciada para operações entre Jeddah, na Arábia Saudita, e Aden, no Iêmen, onde os valores podem chegar a US$ 5 mil para contêineres de 40 pés com carga perigosa. O cenário acompanha iniciativas semelhantes de outras grandes companhias e reforça a tendência de aumento dos custos logísticos globais.
Ao mesmo tempo, o mercado acompanha com atenção a aproximação dos feriados do Festival do Meio do Outono, entre 25 e 27 de setembro, e da Golden Week, de 1º a 7 de outubro, na China. Tradicionalmente, o período provoca forte concentração de embarques antes das paralisações e limitações de espaço nos navios, elevando o risco de cargas serem transferidas para viagens posteriores. Também há expectativa de ajustes nas programações após os feriados, incluindo possíveis cancelamentos de escalas, o que aumenta a necessidade de planejamento antecipado para operações com prazos críticos de entrega em outubro.
Na infraestrutura portuária brasileira, o canal de acesso ao complexo de Itajaí-Navegantes permaneceu fechado devido à forte correnteza causada pelo aumento da vazão do Rio Itajaí-Açu. A interrupção das operações afetou manobras de navios e deixou embarcações aguardando liberação para atracação, evidenciando a vulnerabilidade dos fluxos logísticos aos efeitos de eventos climáticos extremos. A situação também reforça a importância da previsibilidade operacional em corredores estratégicos para o comércio exterior.
Outro episódio relevante ocorreu no Aeroporto Internacional de Viracopos, onde uma falha de energia provocou filas, lentidão nos embarques e alterações em voos ao afetar sistemas do terminal de passageiros. Apesar de o terminal de cargas, a pista e o pátio terem permanecido operacionais, o incidente destacou a importância dos sistemas de contingência em hubs logísticos de grande porte. Na mesma direção, o Peru ampliou sua aposta na cabotagem como alternativa para preservar o abastecimento durante os efeitos do El Niño, reforçando uma tendência de busca por maior resiliência logística diante de riscos climáticos e operacionais cada vez mais frequentes.