O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia voltou ao centro da agenda em janeiro de 2026, após a aprovação do texto pelas instâncias europeias e a previsão de assinatura entre os blocos. O tratado encerra mais de duas décadas de negociações e estabelece uma nova base para as relações comerciais entre América do Sul e Europa.
Apesar do avanço político, o acordo ainda não está em vigor. Depois da assinatura, o texto precisa ser analisado e aprovado pelos parlamentos dos países envolvidos. Esse processo pode levar meses e, em alguns casos, mais de um ano. Até lá, as operações de importação e exportação seguem exatamente como estão hoje.
Quando o acordo começar a valer, as mudanças não serão imediatas nem iguais para todos os setores. A redução de tarifas seguirá cronogramas específicos, que variam conforme o produto e o grau de sensibilidade econômica de cada mercado. Em alguns casos, os impostos caem logo no início. Em outros, a transição pode levar mais de 15 anos.
O que muda para importações e exportações
Do lado do Mercosul, o compromisso é reduzir gradualmente as tarifas sobre a maior parte dos produtos europeus. Isso tende a facilitar, ao longo do tempo, a entrada de máquinas, equipamentos e bens industriais no mercado regional. Já para as exportações, a União Europeia prevê a diminuição das tarifas sobre produtos do Mercosul, mas mantém limites de volume e mecanismos de proteção para setores considerados sensíveis, como o agronegócio.
Na prática, produtos como carnes, açúcar e etanol passam a ter acesso ampliado ao mercado europeu, porém dentro de cotas pré-definidas. Isso significa que a exportação pode se tornar mais competitiva, mas não ilimitada. O ganho dependerá da capacidade de cada empresa de se enquadrar nessas regras e disputar espaço dentro dos volumes autorizados.
Quando as regras pesam mais do que as tarifas
As notícias também chamam atenção para o peso das exigências ambientais, sanitárias e de rastreabilidade. Mesmo com tarifas menores, empresas que não comprovarem a origem dos produtos ou o cumprimento das normas europeias podem enfrentar dificuldades para exportar. Essas exigências funcionam, na prática, como barreiras não tarifárias e tendem a impactar principalmente produtores de menor porte.
Além disso, há risco de atrasos na implementação. Embora o acordo tenha avançado no campo político, ainda existe resistência em alguns países europeus, especialmente ligada ao agronegócio e às questões ambientais. Esse cenário pode resultar em adiamentos ou em uma aplicação gradual e parcial do texto.
No fim, o acordo Mercosul–União Europeia não representa uma virada imediata no comércio exterior, mas a construção de um novo ambiente regulatório. Para importadores e exportadores, o impacto real dependerá do produto, do mercado atendido e do momento em que cada etapa do cronograma começar a valer.