Acordo Mercosul-UE impulsiona exportações brasileiras enquanto seca pressiona transporte nos rios europeus

Acordo Mercosul-UE impulsiona exportações brasileiras enquanto seca pressiona transporte nos rios europeus

As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram US$ 2 bilhões em maio e junho, os dois primeiros meses após a entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e bloco europeu, concentrando grande parte da expansão observada ao longo do primeiro semestre. O resultado reforça o movimento de diversificação de mercados por parte das empresas brasileiras e evidencia os primeiros efeitos da redução tarifária sobre milhares de produtos. No mesmo cenário europeu, o bloco negocia um novo pacote de sanções contra a Rússia com foco no sistema financeiro e em instituições bancárias, ampliando as restrições econômicas relacionadas à guerra na Ucrânia e mantendo a geopolítica entre os fatores que influenciam o comércio internacional.

A busca por novos destinos comerciais ganha relevância diante das incertezas em outras frentes.

A indústria brasileira de calçados passou a projetar uma queda de 7,1% nas exportações para os Estados Unidos após a adoção de novas barreiras comerciais, enquanto empresas e autoridades acompanham a possibilidade de uma tarifa adicional de até 12,5% sobre produtos importados de dezenas de países, incluindo o Brasil. A medida está sendo discutida pelo governo americano no âmbito de uma investigação sobre trabalho forçado em cadeias globais de fornecimento e considera fatores como a existência e a aplicação de regras para impedir a circulação de produtos associados a essa prática. Caso avance, a proposta poderá ampliar exigências relacionadas à rastreabilidade e conformidade para exportadores que atuam no mercado americano.

Na Europa, além das questões comerciais e geopolíticas, a seca continua produzindo impactos sobre a logística regional. Os baixos níveis dos rios Reno, Danúbio e Elba seguem limitando a capacidade de transporte fluvial, obrigando embarcações a operar com cargas reduzidas e elevando os custos de movimentação em alguns dos principais corredores logísticos do continente. O cenário afeta o transporte de grãos, combustíveis e matérias-primas industriais, pressionando cadeias de abastecimento que dependem desses corredores para manter o fluxo regular de mercadorias.

Enquanto a Europa convive com os efeitos da escassez de água sobre sua infraestrutura de transporte, os Estados Unidos enfrentam um cenário oposto. A tempestade tropical Bertha avança pela costa do Golfo do México com previsão de chuvas intensas, ventos fortes e risco de inundações em áreas próximas a importantes instalações portuárias da região. Embora ocorram em contextos distintos, os dois episódios mostram como eventos climáticos seguem influenciando operações logísticas e a circulação de mercadorias em mercados estratégicos para o comércio global.

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