O cenário no Oriente Médio atingiu um novo nível de tensão após o bloqueio coordenado pelos EUA forçar o recuo de 31 navios no Estreito de Ormuz. Em resposta à paralisia da rota, Reino Unido e França assumiram a liderança de um plano militar defensivo para tentar restabelecer a segurança na região e garantir a liberdade de navegação. Esse travamento global já gera reflexos no fornecimento de insumos, com a Rússia limitando a exportação de fertilizantes a 20 milhões de toneladas até o fim do ano, o que pressiona os preços globais e a segurança alimentar internacional.
Na América do Sul, o fluxo logístico enfrenta um gargalo crítico com a greve de caminhoneiros no porto argentino de Quequén. O bloqueio por reajuste de frete retém 347 mil toneladas de grãos e gera prejuízos de US$ 280 milhões. O impasse acende o alerta para os portos de Santos e Paranaguá, que podem receber o desvio dessas cargas, aumentando o tempo de espera para atracação. Essa pressão ocorre em meio a incertezas no Porto de Santos, onde o leilão do Tecon Santos 10 pode sofrer novos atrasos devido a revisões regulatórias no modelo de concorrência.
No campo normativo, a Receita Federal e a Secex publicaram a versão 19 do cronograma de desligamento da DI, trazendo novos impedimentos para o uso do modelo antigo em operações via Duimp e Drawback. A mudança acelera a transição digital enquanto empresas brasileiras buscam diversificar seus mercados para o Sudeste Asiático e Europa, visando reduzir a dependência das exportações concentradas em China e EUA. Para apoiar esse movimento, novas parcerias facilitam o acesso ao seguro de crédito chinês (Sinosure) para importadores de médio porte.
Para mitigar esses riscos, o mercado investe em visibilidade e novas rotas. Enquanto a ONE expande o monitoramento em tempo real para cargas sensíveis na América Latina, o Porto de Yantai amplia a conexão entre China e África, redesenhando os fluxos comerciais. Diante de sistemas em transição e portos congestionados, a prioridade das operações agora se volta para a agilidade tecnológica e a busca por previsibilidade em um ambiente de constantes bloqueios internacionais.