A tentativa de reverter o veto europeu levou o Brasil a elevar o nível de exigência nas exportações de carne, com regras mais rígidas para certificação sanitária. Agora, a certificação passa a depender da comprovação de conformidade com padrões mais rigorosos, incluindo restrições ao uso de antibióticos como promotores de crescimento, prática vedada pela União Europeia, o que assegura mais controle, rastreabilidade e responsabilização ao longo da cadeia de comercialização da carne.
A pressão sobre o agronegócio brasileiro também passa pelo cenário internacional de insumos, especialmente diante de movimentos mais amplos de restrição de oferta. A decisão da Rússia de prorrogar a proibição das exportações de enxofre até o fim de 2026 segue essa lógica, ao preservar o abastecimento interno de um componente essencial para fertilizantes e limitar sua disponibilidade global. O impacto vai além de um insumo específico e reforça uma dinâmica em que grandes produtores passam a proteger cadeias estratégicas, elevando custos e aumentando a exposição de países dependentes de importações, como o Brasil.
Na relação com os Estados Unidos, o cenário combina sinais de recuperação com novos riscos. As exportações brasileiras voltaram a crescer após um período de retração, indicando retomada em algumas cadeias relevantes. Ao mesmo tempo, a proposta de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros mantém o ambiente de incerteza elevado, com potencial de limitar esse avanço e pressionar margens no curto prazo.
No plano interno, a capacidade de sustentar o desempenho externo segue condicionada à logística. O avanço da conectividade nas ferrovias melhora a previsibilidade das operações e o uso dos ativos, enquanto a Transnordestina aponta para maior integração entre regiões produtoras e portos. Ainda assim, limitações de cobertura e o ritmo de execução das obras continuam restringindo ganhos mais amplos de eficiência no escoamento da produção.