O cenário internacional voltou a se mover entre negociações, acordos e novos sinais de realinhamento. Nos Estados Unidos, Donald Trump anunciou a intenção de reduzir as tarifas sobre o café importado do Brasil, Vietnã e Colômbia, após meses de pressão diplomática. A medida surge em meio às discussões do G7 e pode aliviar parte das perdas brasileiras provocadas pelo tarifaço de 50%, que elevou os preços do grão no varejo americano e reduziu a competitividade do produto nacional.
Ao mesmo tempo, a China reforça sua confiança no agronegócio brasileiro. A estatal Cofco assinou contratos de US$ 10 bilhões para comprar quase 20 milhões de toneladas de soja e óleos vegetais do Brasil, consolidando o país como principal fornecedor agrícola do gigante asiático. Mesmo com a reaproximação entre Pequim e Washington, o Brasil manteve sua liderança no setor, exportando 21,2 milhões de toneladas de soja à China neste ciclo, um crescimento de 37,5% frente ao ano anterior.
Esses movimentos mostram que o comércio global vive um momento de transição. De um lado, os Estados Unidos ensaiam ajustes tarifários para conter pressões inflacionárias; de outro, a China amplia parcerias estratégicas com fornecedores confiáveis. No meio desse novo tabuleiro, o Brasil busca fortalecer sua competitividade agregando valor à produção, com foco em derivados como farelo, óleo e biodiesel. A mesma lógica de diversificação aparece em outras frentes, como o lançamento da Ecora, certificadora de créditos de carbono criada por Bradesco e BNDES para inserir o país no mercado global de ativos sustentáveis.
A pauta climática e de eficiência produtiva passa a ser determinante para o comércio exterior brasileiro. Segundo a Moody’s, as mudanças climáticas podem reduzir em até 20% o PIB do país até 2050, com forte impacto na agricultura e na infraestrutura logística. Apesar dos riscos, o Brasil continua a expandir sua presença no comércio digital e físico, com empresas como o Mercado Livre investindo em distribuição regional. Em paralelo, o avanço de mercados como o farmacêutico na Índia reforça que o eixo do crescimento global está mudando — e o Brasil tem a oportunidade de ser um dos protagonistas dessa nova fase do comércio internacional.