Desafios e oportunidades diante das mudanças climáticas e das novas rotas globais

Desafios e oportunidades diante das mudanças climáticas e das novas rotas globais

O noticiário dos últimos dias mostra que clima, energia e infraestrutura estão influenciando cada vez mais as operações de comércio exterior. Da COP30 às novas rotas aéreas anunciadas pela Latam, o cenário traz impactos práticos no custo, na competitividade e na circulação de cargas dentro e fora do Brasil.

Clima pressiona cadeias exportadoras da Amazônia

Um estudo do Pnud aponta que a região da Bacia Amazônica pode sofrer grandes perdas econômicas até 2070 se não avançar em medidas de adaptação climática. Isso afeta diretamente setores que sustentam grande parte das exportações brasileiras, como agricultura, pecuária e mineração.

Na COP30, cresce a pressão para que países que exportam produtos agropecuários adotem práticas mais sustentáveis. Para o Brasil, isso significa maior exigência dos compradores internacionais e necessidade de comprovar origem e conformidade ambiental para manter acesso a mercados estratégicos.

Pecuária avança em rastreabilidade e abre espaço para novos mercados

A Abiec apresentou projeções que indicam potencial de forte redução das emissões na pecuária brasileira nas próximas décadas. Esse avanço, somado ao Plano Nacional de Individualização Bovino, fortalece a rastreabilidade da carne, hoje exportada para mais de 160 países.

Para o comércio exterior, o maior controle de origem facilita negociações, reduz riscos de barreiras sanitárias e aumenta a confiança de clientes internacionais que exigem sustentabilidade na cadeia produtiva.

Novos investimentos movimentam cadeias produtivas da Amazônia

O projeto Coopera Mais Amazônia, que receberá mais de 100 milhões de reais, promete fortalecer cadeias como açaí, castanha, babaçu e cupuaçu. O investimento inclui máquinas, assistência técnica e apoio ao cooperativismo.

Esse movimento pode ampliar o portfólio de exportações da região, aumentar o valor agregado dos produtos e criar novos fluxos logísticos saindo do Norte, com demanda crescente por transporte multimodal e armazenagem especializada.

Energia e custo operacional Itaipu e impacto no setor

Brasil e Paraguai retomarão em dezembro as negociações sobre as tarifas da energia produzida em Itaipu. Uma redução a partir de 2026 pode diminuir custos industriais para setores exportadores que dependem de alto consumo elétrico.

Ao mesmo tempo, a Coreia do Sul avança na transição energética com o fechamento gradual de usinas a carvão. Esse movimento global pressiona cadeias industriais que abastecem o Brasil e reforça a tendência de que fornecedores internacionais adotem energia mais limpa, algo que pode influenciar preços e acordos comerciais.

Expansão aérea Latam amplia possibilidades logísticas

A Latam prevê receber 12 novas aeronaves Embraer a partir de 2026 e já anunciou novas rotas nacionais e internacionais saindo do Brasil. Entre elas estão conexões para Amsterdã, Bruxelas e Cidade do Cabo.

Para quem opera com carga aérea, as novas rotas aumentam alternativas de conexão, reduzem tempos de trânsito e abrem novas opções de entrada no mercado europeu e africano. A expansão também tende a equilibrar o uso entre transporte aéreo e marítimo conforme urgência, sazonalidade e perfil da carga.

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