O Brasil fechou 2025 com déficit de US$ 68,8 bilhões nas contas externas, apesar de manter um superávit comercial de US$ 60 bilhões. A redução desse saldo em relação ao ano anterior fez com que gastos com serviços, fretes, tecnologia e remessas ao exterior pesassem mais no resultado final. O dado mostra que o comércio segue ativo, mas com menos margem para absorver choques externos.
Nesse ambiente, o dólar recuou para R$ 5,20, o menor nível desde maio de 2024, refletindo a entrada de capital estrangeiro em mercados emergentes e o enfraquecimento global da moeda americana. Para importadores, o câmbio mais baixo alivia custos no curto prazo. Para exportadores, o movimento reduz competitividade e reforça a necessidade de atenção à formação de preços e ao fechamento de câmbio.
No exterior, a Europa discute mudanças na própria estrutura. Alemanha e França defendem uma União Europeia de “duas velocidades”, na qual um grupo menor de países avançaria mais rápido em decisões econômicas, industriais e de segurança de suprimentos. Em paralelo, o acordo comercial entre União Europeia e Índia reduz tarifas e tende a redistribuir fluxos de produção e comércio, diminuindo a dependência europeia da China.
As tensões logísticas também aparecem na América do Sul. O Equador elevou em 900% a taxa de trânsito do petróleo colombiano, encarecendo um corredor estratégico e provocando retaliações comerciais. Ao mesmo tempo, minerais críticos ganham espaço na agenda internacional, com projetos no Brasil buscando acordos de fornecimento com os Estados Unidos. O conjunto de notícias reforça um cenário em que comércio exterior, política e logística seguem cada vez mais interligados.