O frete rodoviário voltou a pressionar a cadeia logística brasileira após subir 3,36% em março, atingindo R$ 7,99 por quilômetro rodado, movimento puxado principalmente pela alta do diesel e pela demanda da safra. Esse cenário levou o governo a reforçar medidas para conter o impacto do combustível no transporte, com a prorrogação do prazo para adesão ao subsídio do diesel, em que governo e estados bancam parte do desconto, e a proposta de usar arrecadações extras do petróleo para tentar reduzir o preço nas bombas, indicando que o custo logístico passou a ter um peso direto nas decisões econômicas e operacionais das empresas.
Essa pressão interna não acontece de forma isolada, já que o fluxo global de energia também passa por ajustes relevantes. O envio de 1 milhão de barris de petróleo do México ao Japão mostra como países estão reorganizando suas rotas e parcerias para garantir abastecimento em um cenário de maior instabilidade, o que altera a dinâmica do transporte marítimo e aumenta a disputa por capacidade. Na prática, decisões energéticas começam a influenciar diretamente o planejamento logístico, reduzindo previsibilidade e elevando o custo das operações internacionais.
No Estreito de Ormuz, a pressão sobre o transporte marítimo também passou a envolver riscos digitais. Criminosos têm se passado por autoridades iranianas para oferecer “passagem segura” a navios em troca de pagamentos em Bitcoin ou stablecoins, explorando a tensão em uma das rotas mais sensíveis do comércio global. O caso expõe falhas nos processos de validação das comunicações marítimas e mostra que, em cenários de instabilidade, o risco operacional deixa de ser apenas físico e passa a envolver também segurança digital.
Mesmo com esse aumento de custos e riscos, o comércio exterior brasileiro também observa uma janela de expansão com o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia. A expectativa de crescimento das exportações, impulsionada pela redução gradual de tarifas e ampliação de acesso a mercados, cria oportunidades para setores que conseguirem operar com mais eficiência. Diante de um cenário em que combustível, energia, segurança e acordos comerciais passam a influenciar diretamente as decisões logísticas, a prioridade das operações se volta para manter competitividade sem perder previsibilidade.