Os tufões Narra e Saudel voltaram a afetar importantes corredores logísticos da China. Enquanto o Narra permanece atuando na região do Golfo de Beibu, com potencial influência sobre portos como Zhanjiang, Fangcheng e Haikou, o supertufão Saudel deve avançar pelo Mar da China Oriental nos próximos dias, podendo atingir diretamente Ningbo e Xangai, dois dos principais complexos portuários utilizados nas exportações chinesas para a América do Sul. Com possibilidade de suspensões temporárias e alterações de escala, empresas acompanham os desdobramentos em um momento de capacidade já limitada.
As condições climáticas se somam aos congestionamentos observados nos principais portos chineses, com alguns serviços em Xangai registrando esperas médias de aproximadamente 72 horas e embarcações em Yangshan chegando a aguardar até 12 dias para atracação, enquanto Ningbo ainda absorve os efeitos de interrupções recentes, Qingdao sente atrasos acumulados ao longo da cadeia e terminais como Yantian e Shekou seguem operando sob regras mais rígidas para o recebimento de contêineres carregados, fator que aumenta custos e reduz a previsibilidade dos embarques.
Em paralelo aos desafios enfrentados pela logística asiática, o Peru anunciou que pretende acelerar a entrada em vigor do tratado de livre comércio com Hong Kong ainda em 2026. O acordo prevê a eliminação de tarifas sobre 98,3% das linhas tarifárias aplicadas a produtos originários do território asiático, sendo mais de 90% delas liberadas imediatamente após a implementação, medida que reforça a estratégia peruana de ampliar sua integração com os mercados da região Ásia-Pacífico e fortalecer sua posição como plataforma comercial entre os dois continentes.
Esse movimento ocorre em um ambiente de custos de transporte mais elevados, com sucessivos reajustes sendo registrados pelos armadores na rota China-América do Sul. Entre as alternativas apresentadas ao mercado, a armadora ZIM anunciou um novo serviço para Brasil, Argentina e Uruguai, projetado para oferecer escalas mais estáveis e tempos de trânsito mais competitivos para cargas destinadas ao Sul do Brasil, especialmente para Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A iniciativa coincide com a expansão de marcas internacionais de luxo no mercado brasileiro, sinalizando que segmentos de maior valor agregado seguem sustentando a demanda por importações e serviços logísticos especializados.