A possibilidade de uma greve por tempo indeterminado nos principais portos da Alemanha voltou a preocupar o comércio internacional após 64,7% dos trabalhadores rejeitarem a proposta salarial apresentada pelos empregadores. A negociação envolve cerca de 11 mil profissionais em terminais estratégicos como Hamburgo, Bremerhaven e Wilhelmshaven, e uma nova consulta sindical ocorre até o início de outubro. Caso o movimento avance, a paralisação tende a ampliar atrasos em um dos principais corredores logísticos da Europa justamente em um momento de crescente pressão sobre as cadeias globais de transporte, que também acompanham os reflexos da sabotagem registrada na rede ferroviária holandesa, onde mais de 35 ocorrências interromperam operações e afetaram conexões fundamentais entre portos, centros de distribuição e mercados consumidores.
Enquanto isso, as transportadoras marítimas seguem ajustando custos e capacidade diante de um cenário cada vez mais restritivo. A Hapag-Lloyd anunciou aumento nas taxas cobradas em operações envolvendo ilhas do Caribe Oriental, com cobranças adicionais que podem chegar a US$ 7,7 mil por contêiner refrigerado. A companhia também alertou para os impactos das restrições impostas no Canal do Panamá, onde a escassez de água provocada pelos efeitos do El Niño reduziu a disponibilidade de trânsitos e elevou custos operacionais. No mesmo contexto, a MSC ampliou os chamados blank sailings em rotas entre Ásia, Estados Unidos e Europa antes da Semana Dourada chinesa, movimento acompanhado por outras armadoras e que pode reduzir a oferta disponível de espaço, afetando cronogramas e tarifas nas próximas semanas.
As mudanças não se limitam à logística. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs transformar o Canadá no primeiro membro associado da União Europeia, aprofundando uma relação comercial que já movimenta mais de €130 bilhões por ano. A iniciativa surge em meio às tensões comerciais entre Ottawa e Washington e prevê cooperação em áreas como defesa, energia, inteligência artificial, minerais críticos e segurança cibernética. Na mesma direção, a Comissão Europeia apresentou a proposta de um Conselho de Segurança ampliado envolvendo Canadá, Reino Unido e Noruega, com o objetivo de coordenar respostas rápidas a ameaças híbridas, sabotagens e crises de segurança que vêm ganhando espaço no continente.
No comércio de alimentos, a indústria brasileira de pescados voltou a pressionar o governo após as importações de filé de tilápia superarem as exportações pela primeira vez. A Abipesca propôs uma cota anual de 16,2 mil toneladas para limitar a entrada do produto, principalmente após o avanço das compras provenientes do Vietnã. Em paralelo, a reorganização econômica global segue ganhando força. Holanda, França, Alemanha e Itália ampliam discussões sobre a repatriação de reservas de ouro mantidas nos Estados Unidos, refletindo preocupações geopolíticas crescentes. Na logística aérea, o uso de combustível produzido a partir de óleo de cozinha reciclado em voos para a Antártida reforça o avanço da agenda de sustentabilidade no transporte internacional.