Guerra no Oriente Médio paralisa rotas estratégicas e amplia risco sistêmico no comércio exterior

Guerra no Oriente Médio paralisa rotas estratégicas e amplia risco sistêmico no comércio exterior

A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, seguida de retaliações iranianas entre 28 de fevereiro e 2 de março, já produz impactos diretos no fluxo logístico internacional. Mais de 200 embarcações permanecem ancoradas ao redor do Estreito de Ormuz e do Golfo, incluindo cerca de 150 petroleiros. Três navios foram danificados e houve registro de morte de tripulante, elevando o nível de risco operacional na navegação regional.

No transporte marítimo, transportadoras anunciaram suspensão de passagens pelo Estreito de Ormuz e pelo Bab el-Mandeb, afetando também a rota via Canal de Suez. MSC suspendeu reservas de carga para o Oriente Médio. Maersk interrompeu travessias pela região. CMA CGM direcionou embarcações para áreas abrigadas e suspendeu passagem via Suez. Hapag-Lloyd introduziu sobretaxa de risco de guerra de US$ 1.500 por contêiner padrão. O porto de Jebel Ali suspendeu temporariamente operações após incidentes relacionados a interceptações aéreas, com expectativa de atrasos e congestionamento mesmo após reabertura.

No transporte aéreo, companhias suspenderam ou limitaram operações devido ao fechamento de espaços aéreos e instabilidade regional. Emirates SkyCargo suspendeu voos e restringiu novas reservas até 2 de março. KLM cancelou operações para Dubai, Riad e Dammam até 5 de março. Turkish Airlines anunciou cancelamentos regionais, enquanto a Qatar Airways interrompeu operações após o fechamento do espaço aéreo do Catar. O cenário indica redução imediata de capacidade e possível formação de backlog logístico.

O risco sobre o Estreito de Ormuz afeta rota responsável por aproximadamente 20% do petróleo comercializado globalmente, além de volumes relevantes de GNL do Catar. Refinarias asiáticas iniciaram avaliação de estoques e alternativas de suprimento. A pressão sobre o petróleo impacta bunker marítimo, combustível de aviação e custos de frete internacional.

Para operações de comércio exterior, o cenário indica suspensão de bookings, aplicação de sobretaxas de risco, ajustes de cronograma e maior imprevisibilidade nos prazos enquanto persistirem as restrições operacionais na região.

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