O comércio internacional voltou a registrar movimentos relevantes que podem afetar diretamente importadores e exportadores. Os Estados Unidos abriram novas investigações comerciais contra diversos parceiros, incluindo China, União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Índia, México e Vietnã. As apurações utilizam a chamada Seção 301 da legislação comercial americana, um instrumento que permite ao governo investigar práticas consideradas desleais e aplicar tarifas extras sobre produtos importados. Caso avancem, novas tarifas podem surgir nos próximos meses, alterando cadeias globais de fornecimento e redirecionando fluxos de comércio.
Na América do Sul, mudanças na infraestrutura logística também entram no radar do comércio exterior. A Argentina iniciou uma nova tentativa de concessão da hidrovia Paraguai–Paraná, um corredor de cerca de 1.400 quilômetros utilizado para o escoamento de exportações agrícolas do Mercosul. O sistema conecta Argentina, Paraguai, Bolívia e parte do Centro-Oeste brasileiro aos portos do Atlântico e tem papel central na competitividade das exportações de grãos da região.
No Brasil, outro projeto relevante envolve o Porto de Santos. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários abriu consulta pública para conceder o canal de acesso do porto por pelo menos 25 anos. O projeto inclui obras de dragagem para ampliar a profundidade de 15 para 17 metros, permitindo a operação de navios maiores e aumentando a capacidade logística do principal porto do país.
O comércio agrícola também mostra sinais de pressão nas exportações brasileiras. Em fevereiro, embarques de café registraram queda superior a 23%, enquanto mudanças em processos de inspeção levaram à suspensão temporária de embarques de soja brasileira para a China por parte de uma grande trading internacional. Ao mesmo tempo, um relatório da IATA apontou que o crescimento da indústria de inteligência artificial impulsionou o transporte aéreo internacional em 2025, viabilizando cerca de US$ 157 bilhões em importações antecipadas de equipamentos tecnológicos e ampliando o papel da carga aérea nas cadeias globais de alto valor.