A assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, no Paraguai, marca um novo patamar para a inserção internacional do Brasil. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, mais de 5 mil produtos brasileiros terão imposto de importação zerado no mercado europeu quando o tratado entrar em vigor. De acordo com a entidade, 54,3% dos itens negociados terão tarifa zero logo na entrada do acordo, enquanto o Mercosul contará com prazos mais longos de adaptação para setores sensíveis.
Durante a assinatura do acordo no Paraguai, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o tratado “envia uma mensagem muito forte da escolha pelo comércio justo em vez de tarifas”. A declaração ocorreu em meio às tensões entre Europa e Estados Unidos, após o presidente americano Donald Trump sinalizar a possibilidade de tarifas adicionais de 10% sobre países europeus, no contexto das discussões envolvendo a Groenlândia. Mesmo sem confirmação formal da medida, a União Europeia passou a avaliar cenários de resposta, incluindo retaliações de até € 93 bilhões, e a acelerar a diversificação de seus parceiros comerciais.
O acordo Mercosul–União Europeia também ganha relevância em um momento de reorganização das cadeias globais. Segundo a CNI, os acordos comerciais dos quais o Brasil participa atualmente cobrem cerca de 8% do comércio mundial, percentual que pode chegar a 36% com a entrada em vigor do tratado europeu. O dado reforça o peso estratégico do acordo para exportadores brasileiros, especialmente da indústria.
No cenário internacional, o Fórum Econômico Mundial, em Davos, reforçou o clima de atenção aos movimentos tarifários e geopolíticos. A expectativa em torno de anúncios ligados a tarifas, disputas comerciais e reposicionamento de blocos econômicos dominou as discussões, evidenciando como o comércio exterior voltou ao centro das decisões políticas globais.
Em paralelo, países buscam acelerar acordos bilaterais e regionais como forma de reduzir exposição a medidas unilaterais. O movimento entre Mercosul e União Europeia se insere nesse contexto, funcionando como uma resposta institucional à volatilidade do comércio internacional e à crescente utilização de tarifas como ferramenta de pressão política.