Ormuz volta a travar, ANTT aperta o frete e comércio exterior segue em adaptação

Ormuz volta a travar, ANTT aperta o frete e comércio exterior segue em adaptação

O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã chegou a aliviar o mercado no início desta quarta-feira, 8 de abril, mas perdeu força poucas horas depois. Israel afirmou que o Líbano não fazia parte do acordo e manteve ataques contra alvos do Hezbollah, o que levou o Irã a voltar atrás na sinalização de abertura do Estreito de Ormuz e recolocar a rota no centro da crise. Para o comércio exterior, o efeito é direto: a trégua reduziu o pânico inicial, mas não devolveu previsibilidade a uma operação que continua exposta a risco geopolítico, energia cara e instabilidade logística.

O problema é que Ormuz não é só um termômetro político, mas uma via crítica para o fluxo global de petróleo e gás. Depois de um ensaio de retomada, o novo fechamento reforçou a leitura de que o mercado ainda não trabalha com normalização, e sim com interrupções repentinas e decisões de curto prazo. É esse vai e volta que pressiona seguro, custo operacional, prazo de trânsito e disponibilidade de embarque, mesmo quando o barril recua em algum momento do dia.

No Brasil, essa pressão externa encontra um ambiente mais rígido no transporte rodoviário. A ANTT, que é a Agência Nacional de Transportes Terrestres, endureceu a fiscalização do frete e reforçou o CIOT, sigla para Código Identificador da Operação de Transporte, como exigência obrigatória desde a origem da operação. Na prática, isso significa mais controle sobre a contratação do frete e menos espaço para operações fora das regras, especialmente nos casos de piso mínimo. Ao mesmo tempo, o governo anunciou medidas para conter o impacto da crise energética, com ações voltadas a diesel, GLP e aviação.

Mesmo nesse cenário mais sensível, o comércio exterior brasileiro segue mostrando resiliência. O governo projeta exportações recordes em 2026, enquanto parte relevante das vendas brasileiras para os Estados Unidos já entra sem sobretaxa. O recado do momento é claro: há espaço para crescimento, mas ele depende cada vez mais de rota bem definida, custo monitorado e resposta rápida a mudanças que podem surgir no mesmo dia.

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