Entre Ormuz e o Brics Pay: navios podem voltar a circular enquanto transações tentam sair do dólar

Entre Ormuz e o Brics Pay: navios podem voltar a circular enquanto transações tentam sair do dólar

O Irã apresentou uma proposta para reabrir o Estreito de Ormuz com apoio de mediadores como Paquistão e Omã. A negociação tenta destravar primeiro a circulação de navios comerciais pela região, deixando temas mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano, para uma etapa posterior. A proposta busca criar garantias mínimas de segurança para que embarcações comerciais voltem a atravessar uma rota essencial para o transporte de petróleo, reduzindo o risco de bloqueios ou ataques que afetam o fluxo marítimo internacional.

Enquanto a tentativa de reabertura busca reduzir riscos no transporte marítimo, no transporte aéreo companhias americanas indicaram que as tarifas devem continuar elevadas mesmo se o custo do combustível cair, já que o preço das passagens e do espaço em aeronaves não depende apenas da operação, mas também da demanda. Com voos cheios e procura constante, as empresas mantêm os valores em patamares mais altos, o que ajuda a explicar por que o frete aéreo internacional pode demorar a recuar mesmo quando parte dos custos começa a aliviar.

Além das rotas e dos custos de transporte, o Brics Pay, sistema apresentado pelo Brasil aos países do bloco, propõe pagamentos internacionais diretamente entre moedas locais, sem que a transação precise passar obrigatoriamente pelo dólar ou pelo sistema Swift. Para operações entre Brasil e China, por exemplo, a ideia seria permitir uma liquidação mais direta entre real e yuan, reduzindo etapas de conversão cambial e criando uma alternativa financeira para importadores e exportadores, embora o modelo ainda dependa de avanço técnico e regulatório para funcionar em escala.

Essa reorganização também aparece na indústria automotiva, já que, com a retomada gradual do imposto de importação sobre veículos eletrificados, montadoras estrangeiras passaram a buscar formas de produzir no Brasil sem começar uma operação do zero. Algumas empresas têm usado fábricas já existentes por meio de parcerias, aproveitando estruturas ociosas para reduzir tempo de implantação e investimento inicial. Esse movimento altera a conta entre trazer veículos prontos de fora e produzir localmente, especialmente para marcas chinesas que querem ganhar espaço no mercado brasileiro.

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