A Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória nº 1.343/2026, que altera a contratação de fretes no Brasil ao exigir o registro das operações no CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) e permitir o bloqueio de contratos abaixo do piso mínimo, o que reduz a informalidade, mas tende a aumentar custos e limitar a flexibilidade das negociações. Em paralelo, a adesão do Rio de Janeiro ao Propag, programa de renegociação das dívidas estaduais, reduz o valor das parcelas da dívida com o governo federal no curto prazo e pode abrir espaço para investimentos, incluindo projetos ligados à infraestrutura.
Na Europa, França e Alemanha avançaram para se tornarem acionistas da KNDS, fabricante de veículos militares criada a partir da fusão entre empresas dos dois países, em um movimento que busca fortalecer a indústria de defesa e ampliar a autonomia produtiva do bloco. Esse reposicionamento acontece ao mesmo tempo em que cadeias globais passam por reorganização, impulsionadas pela transição para veículos elétricos, que conecta mineração, produção de baterias e montagem, e pelo anúncio de um novo hub logístico no Porto de Roterdã voltado a cargas refrigeradas da América do Sul.
Com produção e logística cada vez mais interligadas, cresce a exigência por eficiência e coordenação entre países, o que pressiona o Brasil a avançar em portos e na cadeia do frio para manter competitividade nas exportações. A capacidade de atender padrões logísticos mais estruturados deixa de ser um diferencial e passa a ser condição básica para acessar mercados que já operam com maior previsibilidade e escala.
No cenário internacional, a possível suspensão de sanções ao petróleo iraniano indica aumento potencial de oferta, enquanto as tensões no Oriente Médio continuam afetando rotas estratégicas de transporte e mantêm o custo logístico sensível às oscilações da energia. Ao mesmo tempo, novas restrições comerciais entre Estados Unidos e China reforçam a fragmentação das cadeias globais e ampliam a incerteza nas decisões de comércio exterior, exigindo maior atenção a risco e planejamento operacional.