A interdição da principal via de acesso à APM Terminals Suape, após a abertura de uma cratera no Cabo de Santo Agostinho (PE), trouxe impactos imediatos para a logística local. A APM Terminals Suape suspendeu temporariamente as cobranças de armazenagem e as taxas de reagendamento enquanto o acesso ao terminal permanecer comprometido. Enquanto isso, a China inaugurou o Canal de Pinglu, hidrovia de 134 quilômetros que conecta o interior da região de Guangxi ao mar, reduzindo em mais de 560 quilômetros o trajeto das cargas até o oceano e fortalecendo a ligação do sudoeste chinês com rotas marítimas voltadas ao Sudeste Asiático.
O avanço da infraestrutura chinesa ocorre em um momento de pressão crescente sobre suas cadeias logísticas. O porto de Ningbo enfrenta congestionamentos provocados por sucessivos tufões e pela antecipação de embarques antes da Golden Week, com atrasos que chegam a dez dias. A elevada ocupação dos pátios e a escassez de equipamentos refrigerados também aumentam os riscos de falta de contêineres NOR, além de rollovers e cancelamentos de embarques. Ao mesmo tempo, fabricantes de celulares e laptops alertam para uma escassez global de chips de memória que pode se estender até 2027, impulsionada pela expansão da inteligência artificial e pela forte demanda por capacidade produtiva.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4%, enquanto os preços de importados avançaram 0,7% em agosto e passaram a acumular alta de 7% em doze meses, reforçando os sinais de pressão inflacionária na maior economia do mundo. Em paralelo, a União Europeia convidou o Canadá para se tornar o primeiro “membro associado” do bloco, iniciativa que provocou reação imediata de Donald Trump, que ameaçou impor novas tarifas ou restringir o comércio com a Europa caso a proposta avance.
Também no campo geopolítico, a Câmara dos Estados Unidos aprovou um novo pacote de sanções contra a Rússia voltado aos setores de energia, defesa e à chamada “frota fantasma” utilizada para contornar restrições comerciais. Horas após a votação, Moscou lançou novos ataques contra Kiev e outras cidades ucranianas, ampliando as tensões e mantendo os mercados atentos aos possíveis impactos sobre energia, transporte e fluxos globais de comércio. Já na frente comercial, o acordo Mercosul-Efta segue avançando para entrar em vigor em novembro, ampliando o acesso de exportadores sul-americanos aos mercados da Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein em um cenário cada vez mais marcado pela reorganização das relações comerciais internacionais.