Formado no Oceano Pacífico Ocidental, próximo à ilha de Guam, território dos Estados Unidos na Micronésia, o supertufão Champi ganhou força ao longo da última semana impulsionado pelas águas quentes da região e atingiu ventos sustentados de até 296 km/h, tornando-se um dos ciclones mais intensos de 2026. O fenômeno alcançou a categoria 5, o nível mais alto de classificação para esse tipo de tempestade, e chamou a atenção de meteorologistas pelo rápido fortalecimento e pela expansão de seu olho, que passou de cerca de 10 quilômetros para aproximadamente 56 quilômetros de diâmetro em poucos dias.
Após atingir seu pico de intensidade em mar aberto, o sistema avançou em direção ao norte das Filipinas e ao leste de Taiwan, levando autoridades a emitirem alertas terrestres e marítimos e a mobilizarem mais de 23 mil militares para ações preventivas. Em algumas áreas montanhosas, a previsão indicou volumes de chuva próximos a 900 milímetros, elevando os riscos de enchentes e deslizamentos. As autoridades também iniciaram evacuações em regiões consideradas vulneráveis e reforçaram os sistemas de resposta a emergências.
Mesmo enfraquecido em relação aos dias anteriores, o Champi continuou provocando impactos significativos em Taiwan. A tempestade deixou ao menos uma pessoa morta e mais de 160 feridos, provocou interrupções no fornecimento de energia elétrica e levou à retirada de milhares de moradores de áreas de risco. O fenômeno também causou o cancelamento de quase mil voos domésticos e internacionais, além da suspensão de serviços marítimos e do fechamento temporário de atrações turísticas e atividades comerciais. A previsão é que o sistema siga em direção à costa chinesa antes de avançar para o sul do Japão.
Os impactos sobre a logística internacional ocorrem em um momento de pressão adicional sobre o transporte aéreo de cargas. A TAP informou clientes sobre um elevado backlog de mercadorias aguardando embarque, cenário que vem provocando congestionamento operacional e atrasos superiores a 20 dias em determinadas rotas. A companhia atribui a situação ao alto volume de cargas acumuladas à espera de espaço disponível, aumentando os desafios de planejamento para importadores e exportadores que dependem das conexões entre América do Sul, Europa e Ásia. A combinação entre restrições de capacidade e interrupções em importantes corredores logísticos reforça a pressão sobre as cadeias globais de suprimentos.