Tarifas dos EUA, Mercosul-UE e a pressão sobre o comércio exterior brasileiro

Tarifas dos EUA, Mercosul-UE e a pressão sobre o comércio exterior brasileiro

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos entraram em um novo momento após o anúncio do governo americano de tarifas de 25% para países que mantêm comércio com o Irã. A medida, com efeito imediato, amplia a incerteza para exportadores brasileiros, especialmente do agronegócio, já que o Irã foi destino de US$ 2,9 bilhões em exportações do Brasil em 2025. Milho e soja concentraram a maior parte desses embarques, enquanto fertilizantes lideraram as importações brasileiras vindas do país persa.

Esse movimento ocorre em um contexto de enfraquecimento da balança comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo dados da Amcham, as exportações brasileiras para o mercado americano somaram US$ 37,7 bilhões em 2025, uma queda de 6,6% em relação a 2024. Com isso, a participação dos EUA na pauta exportadora do Brasil recuou para 10,8%, o menor nível desde 2020. No sentido oposto, as importações de produtos americanos cresceram 11,3%, ampliando o déficit comercial brasileiro para US$ 7,5 bilhões, puxado por aeronaves, medicamentos, máquinas e combustíveis.

Na frente europeia, o acordo Mercosul–União Europeia avança com impactos diretos sobre o comércio. O tratado prevê redução gradual de tarifas para produtos industrializados, como cafés solúveis, e estabelece regras rígidas de indicações geográficas. Com isso, produtores do Mercosul deixam de utilizar nomes tradicionais ligados à origem europeia, salvo exceções negociadas, o que afeta estratégias de exportação, rotulagem e posicionamento de produtos nos mercados europeu e sul-americano.

Ao mesmo tempo, China e União Europeia discutem normas de preços para exportações de veículos elétricos dentro das regras da OMC, sinalizando ajustes nas cadeias globais do setor automotivo. Enquanto isso, o Brasil ainda mantém acordos internacionais assinados, mas não ratificados, como o tratado previdenciário com Israel, o acordo para evitar dupla tributação com o Reino Unido e o Mercosul–Cingapura. Em paralelo, as tensões no Irã, na Venezuela e na Rússia pressionam o mercado de energia, elevam custos de frete e seguro e adicionam volatilidade às operações de comércio exterior neste início de 2026.

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