A suspensão de tarifas nos EUA após decisão da Suprema Corte abriu espaço para reação de setores brasileiros. A Abipesca projeta exportações de pescados próximas de US$ 600 milhões em 2026, mesmo com possibilidade de manutenção de taxa ao redor de 15%. Depois de um 2025 marcado por tarifas de até 50%, o setor fala em retomada de contratos e recuperação gradual da produção.
O ambiente americano, porém, segue politicamente sensível. Democratas apresentaram projeto para reembolsar cerca de US$ 134 bilhões arrecadados com tarifas invalidadas, mantendo o tema comercial no centro do debate eleitoral. Apesar das barreiras recentes, o déficit de bens dos EUA atingiu US$ 1,24 trilhão em 2025, com alta de 4,3% nas importações, indicando que a demanda por produtos estrangeiros permanece forte.
Na Europa, a União Europeia congelou acordo comercial com os EUA após aumento de tarifas. O movimento amplia a tensão entre grandes blocos econômicos e pode provocar ajustes nas cadeias globais, com redirecionamento de fluxos e revisão de estratégias por parte de exportadores e importadores.
Enquanto isso, o Brasil busca ampliar frentes na Ásia. Em agenda na Coreia do Sul, Lula afirmou que há interesse em concluir acordo entre Mercosul e o país asiático ainda em 2026. A abertura para carne bovina e cooperação em áreas como manufatura avançada e minerais críticos pode criar novos corredores comerciais em um cenário internacional cada vez mais fragmentado.