A aproximação do supertufão Saudel elevou o nível de atenção sobre a logística asiática. Agentes do mercado projetam a suspensão temporária das operações de gate e da movimentação de contêineres nos portos de Shanghai e Ningbo entre os dias 27 e 28 de agosto, período em que o fenômeno deve provocar os impactos mais intensos na costa leste da China. O cenário pode gerar atrasos de até dez dias nos embarques internacionais, além de ajustes de escala e possíveis omissões de portos por parte dos armadores. Mesmo após a passagem do tufão, a normalização das operações pode levar vários dias devido ao acúmulo de embarcações e cargas nos terminais afetados.
Enquanto operadores acompanham as condições na Ásia, o Brasil intensificou sua agenda internacional de infraestrutura com uma missão realizada na China e em Singapura para apresentar projetos de concessões portuárias, aeroportuárias e hidroviárias a grandes investidores. O movimento inclui reuniões com grupos ligados aos setores de transporte, logística e infraestrutura, além do avanço das discussões para a criação de um Corredor Verde e Digital de Navegação entre Brasil e Singapura.
Na Europa, os baixos níveis dos rios continuam afetando o transporte hidroviário e pressionando custos logísticos. A redução da capacidade operacional em importantes corredores fluviais levou operadores a implementar sobretaxas em determinados serviços, refletindo mais uma vez o impacto de eventos climáticos sobre cadeias de suprimentos globais e sobre a previsibilidade das operações de transporte.
O cenário internacional também acompanha uma nova rodada de negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos voltada à ampliação da lista de produtos brasileiros com tratamento tarifário mais favorável. Ao mesmo tempo, o Brasil se aproxima de um marco histórico nas exportações do agronegócio, reduzindo a distância em relação aos Estados Unidos e reforçando a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura e logística. As atenções permanecem ainda voltadas ao Oriente Médio, após novas restrições envolvendo embarcações ligadas ao trânsito pelo Estreito de Ormuz, e às discussões sobre infraestrutura nacional, incluindo preocupações relacionadas a estruturas estratégicas para o escoamento de cargas.