A União Europeia deu um sinal positivo para a retomada das exportações brasileiras de carne de frango ao aceitar o protocolo nacional para uso de antibióticos na criação das aves, abrindo caminho para o restabelecimento gradual dos embarques suspensos neste mês. O movimento representa um avanço importante para um setor que tem no bloco europeu um dos seus principais destinos de valor agregado. A situação da carne bovina, no entanto, permanece mais complexa, já que as restrições relacionadas ao uso de medicamentos veterinários seguem em negociação e a expectativa do mercado é que uma normalização ocorra apenas ao longo de 2027.
A evolução das tratativas acontece em um ambiente internacional marcado por crescente instabilidade. No fim de semana, a Ucrânia realizou o maior ataque com drones contra Moscou desde o início da guerra, enquanto governos europeus anunciaram medidas de preparação civil e militar diante das preocupações com a segurança regional. Ao mesmo tempo, novos ataques dos rebeldes Houthis contra a Arábia Saudita mantiveram o Oriente Médio sob atenção dos mercados, reforçando os riscos para corredores estratégicos de energia e transporte. Embora os episódios ocorram em diferentes regiões, todos contribuem para elevar a percepção de risco nas cadeias globais de suprimentos.
Os reflexos desse cenário já aparecem nas operações logísticas. A Maersk anunciou novas cobranças para determinadas rotas, incluindo sobretaxas para cargas destinadas a países do Golfo, além de ajustes relacionados a combustível e serviços especiais em outros mercados. As medidas se somam aos impactos provocados por eventos climáticos severos na Ásia, onde a temporada de tufões continua gerando atrasos e exigindo planos de contingência por parte dos armadores. Em paralelo, empresas de diferentes setores seguem relatando dificuldades para prever custos e planejar operações diante da combinação de tensões geopolíticas, oscilações energéticas e interrupções logísticas.
Enquanto parte do mercado reage aos desafios imediatos, alguns polos globais já trabalham em estratégias de longo prazo para preservar competitividade. Hong Kong anunciou um plano para reposicionar seu porto por meio de investimentos em automação, digitalização, integração logística e redução de emissões, apostando menos na disputa por volume e mais na oferta de serviços de maior valor agregado. A iniciativa acompanha uma tendência cada vez mais presente no comércio internacional, na qual eficiência operacional, tecnologia e resiliência ganham relevância semelhante à capacidade física de movimentação, especialmente em um contexto em que fatores geopolíticos, regulatórios e climáticos passaram a influenciar diretamente o fluxo global de mercadorias.