A apreensão dos navios MSC Francesca e Epaminodes no Estreito de Ormuz transformou a tensão diplomática em um bloqueio operacional real. Com a Guarda Revolucionária do Irã alegando violações de navegação e a UKMTO relatando ataques diretos a porta-contêineres, o mercado enfrenta a suspensão de rotas e uma subida imediata nos Seguros de Guerra (War Risk). Esse cenário empurrou o petróleo acima dos US$ 100, e a ameaça contínua às refinarias no Golfo mantém o preço dos combustíveis e do frete internacional sob pressão, apesar da extensão do cessar-fogo anunciada pelos EUA.
Essa instabilidade marítima gerou um reflexo direto no modal aéreo, que agora lida com o cancelamento de 20 mil voos de curta distância na Europa pela Lufthansa. O corte dessa malha regional interrompe o fluxo de alimentação de cargas para os grandes hubs internacionais, reduzindo a oferta de espaço justamente quando o setor buscava o modal aéreo como alternativa ao conflito marítimo. Enquanto isso, a China redesenha fluxos ao zerar tarifas para 53 países africanos em maio, sinalizando uma tentativa global de diversificar rotas de suprimento para fora das zonas de conflito.
No Brasil, o cenário ganha complexidade com a nova ofensiva de defesa comercial. A SECEX iniciou investigações de dumping sobre a soja chinesa e aplicou taxas definitivas sobre resinas de polietileno vindas dos EUA e Canadá, elevando o custo de nacionalização desses insumos. Como contrapartida operacional, a Alfândega de Guarulhos instituiu o Fluxo Expresso (FETA) para agilizar o trânsito aduaneiro rodoviário, buscando mitigar atrasos através de maior velocidade no processamento em zona secundária.
Neste ambiente de alta volatilidade, ferramentas como o Entreposto Aduaneiro tornam-se centrais para a gestão financeira, permitindo a manutenção de estoques com suspensão de tributos enquanto o mercado monitora os preços e as novas barreiras tarifárias.